O fim da escala 6×1 pode abranger mais de 2,6 milhões de trabalhadores no Rio de Janeiro, reduzindo a jornada semanal para 40 horas.
Impacto da proposta de emenda
O fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais podem beneficiar cerca de 2,6 milhões de trabalhadores com carteira assinada no estado do Rio de Janeiro. Este número representa aproximadamente 72,7% dos 3,6 milhões de empregados celetistas com jornada registrada. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propone essa mudança estipula uma transição de cerca de 14 meses, começando com uma redução para 42 horas duas semanas após a publicação do novo regulamento e, depois, para 40 horas um ano depois.
A pesquisa realizada pelo Sebrae Rio revela que a maioria desses trabalhadores está atualmente cumprindo uma jornada de 44 horas semanais. Dentre os empregados, mais de 1,3 milhão trabalha em micro e pequenas empresas, onde as condições de trabalho são frequentemente mais desafiadoras.

Perfil dos trabalhadores afetados
A maioria dos trabalhadores que executa jornada superior a 40 horas é composta por pretos e pardos, que representam 59% desse grupo. A porcentagem de trabalhadores pardos que excedem as 40 horas é de 76,6%, enquanto entre os pretos esse número atinge 75,7%. Para os brancos, o percentual é de 67,5%.
Além de questões étnicas, a escolaridade influencia as jornadas de trabalho. Entre aqueles que não concluíram o ensino fundamental, 85,6% têm contratos que ultrapassam as 40 horas; já entre os que têm diploma de ensino superior, esse número cai para 47,4%. De forma preocupante, entre os jovens de 18 a 24 anos, 81,8% trabalham mais de 40 horas por semana, correspondendo a 307 mil pessoas. Os homens representam 62,1% desse total, ou seja, aproximadamente 1,64 milhão.
Quanto às mulheres, 66,8% das empregadas com carteira assinada ultrapassam a jornada de 40 horas, com um total de cerca de 1 milhão de trabalhadoras.
Setores mais afetados pela mudança
O cenário é mais alarmante nas micro e pequenas empresas, onde aproximadamente 80,1% das contratações excedem 40 horas semanais. Em contraste, nas grandes e médias empresas, a incidência é de 66,6%. Os setores que mais apresentam essa questão são: hotéis, com 92,4%; comércio, com 92,2%; e construção civil, com 91,2% dos vínculos empregatícios em jornadas prolongadas.
As ocupações que concentram o maior número de trabalhadores em jornadas superiores a 40 horas incluem: faxineiros (146,9 mil), vendedores do varejo (127,5 mil) e operadores de caixa (90,5 mil). Para facilitar a transição e adaptação à nova jornada, o Sebrae Rio sugere uma reorganização das escalas, turnos e processos de trabalho, além de um planejamento financeiro para os pequenos negócios.
Desigualdade entre trabalhadores
Os dados também destacam a desigualdade salarial relacionada às jornadas de trabalho. Os trabalhadores que cumprem mais de 40 horas semanais recebem, em média, R$ 3.158 por mês. Em comparação, aqueles com contratos de 40 horas têm um salário médio de R$ 8.098. Permanecendo nessa linha, 66,7% dos trabalhadores que excedem esse limite de horas recebem até dois salários mínimos.
Adicionalmente, é importante observar a localização dos trabalhadores afetados. A Baixada Fluminense possui 84,7% dos seus trabalhadores em jornadas que ultrapassam as 40 horas, enquanto a capital do Rio de Janeiro abriga cerca de 1,28 milhão desses indivíduos. O Centro-Sul Fluminense lidera em termos proporcionais, com 88,1% dos trabalhadores nessa condição, superando até mesmo a capital.

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